quarta-feira, 29 de junho de 2011

Quase um etnocentrismo


Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que o seu caminho é o único. Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e renúncia...
(Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei)

Paulo Coelho

terça-feira, 28 de junho de 2011

"O MISTÉRIO DE BLÉM-BLÉM E OS FANTASMAS DE JARAGUÁ"

 Bairro de Jaraguá

"O MISTÉRIO DE BLÉM-BLÉM E OS FANTASMAS DE JARAGUÁ"

Tchello d'Barros

Certa noite a lua cheia
Estava avermelhada
E depois da meia-noite
Nem sino nem badalada
Não se ouvia nem silêncio
Nessa noite tão calada

Isso foi em Maceió
Num lugar bem conhecido
No bairro de Jaraguá
De estilo muito antigo
Foi ali que aconteceu
Este causo estremecido

Duas almas se encontraram
Eram eles escritores
Poeta Jorge sem medos
Mestre Graça sem temores
Vieram pela saudade
Da cidade e dos amores

Percorreram todo o bairro
Caminhando lado à lado
Nas ruas do Jaraguá
Este lugar tão falado
E pararam no coreto
Que estava abandonado

Eles ali leram versos
De estilo bem rimado
Como em muitos outros muros
Por onde tinham passado
Leram todos os poemas
Que alguém tinha pintado

Foi então que Mestre Graça
Ficou impressionado
Disse ao Poeta Jorge
Do silêncio calado
Pois antigamente o bairro
Era tão movimentado

Isso foi há muito tempo
Quando aqui tinha voltado
Este bairro portuário
Foi bastante assombrado
Com muitas almas penadas
E o povo assustado

Foi então que o poeta
Diante da situação
Acendeu mais uma estrela
Antes da explicação
E contou porque agora
Não tem mais assombração

Então contou de um doido
Que pelo bairro vivia
Ninguém sabe de onde veio
Seu nome ninguém sabia
Era um maluco alegre
Nem esmola ele pedia

Todos já lhe conheciam
Nunca aperreou ninguém
E tinha um apelido
Que ganhou não sei de quem
Por fazer muito barulho
Lhe chamavam de Blém-blém

Pois Blém-Blém batia ferro
Pela rua o dia inteiro
Batia em postes e placas
Com seu jeito costumeiro
Todos riam sem saber
Do motivo verdadeiro

É que os fantasmas do bairro
Ele podia enxergar
Tinha essa capacidade
Coisa de se admirar
Só que todos esses vultos
Ele queria expulsar

E disse à cada um deles
Pra dali se retirar
É que em seu querido bairro
Alma não ía morar
Porque a bela Maceió
Começou nesse lugar

Os danados aprontavam
Pela madrugada afora
Assustavam toda a gente
Que com medo ía embora
E os malvados só dormiam
Quando chegava a aurora

O Blém-blém disse que isso
Não ía mais permitir
E passou a bater ferro
Até o ferro retinir
Incomodando os fantasmas
Que não podiam dormir

Claro que eles não gostaram
Desse louco objetivo
Acordar o tempo todo
Ao som de ferro batido
Já tinha até sonâmbulo
Sonhando que estava vivo

Um por um foi indo embora
Não ficou nada daquilo
Alguns eram tão antigos
Que foram para um asilo
Foi assim que Jaraguá
Tornou-se um bairro tranqüilo

Neste ponto o Mestre Graça
Só por curiosidade
Quis saber mais dessas almas
Que por infelicidade
Tiveram que abandonar
Este canto da cidade

O poeta começou
A contar dessas pessoas
Disse que apesar dos sustos
Eram todas almas boas
Que vinham de muitos lados
Do estado de Alagoas

Na Rua Sá e Albuquerque
Tinha um fantasma brigão
Brigava com todo mundo
Dizia ser um barão
Mas foi só um cangaceiro
Do bando de Lampião

Esse veio dos Palmares
Um retinto escravo preto
Gostava de assombrar
Ali perto do coreto
Fugiu lá para o Farol
Hoje se esconde num beco

Um que era estivador
Há tempos sumiu do porto
De muito puxar açúcar
Tinha um jeito meio torto
De tanto que trabalhou
Nem viu que já estava morto

E uma quenga assombrada
Que assustava os pecadores
Fossem eles marinheiros
Peões ou estivadores
Essa foi para bem longe
Da vila dos pescadores

Um fantasminha da orla
Foi embora na maré
Atacava na igreja
Crentes que não tinham fé
E gostava de morder
Esse índio Caeté

Fugiu da Associação
Que chamam Comercial
Um fantasma holandês
Loiro e lindo sem igual
Habitava aquela estátua
Com jeito homossexual

Os fantasmas violeiros
Não zoavam com ninguém
Mesmo assim foram banidos
Por cantar no armazém
Dizem que agora assustam
Lá na estação do trem

Um fantasma que já foi
Catador de sururú
Sempre no Museu Chalita
Tocava o maior rebú
Foi expulso e hoje mora
Lá na praça Sinimbú

Outra alminha morava
Na Usina da Produção
Esse cantador de côco
Não escapou da expulsão
Foi visto recentemente
Lá no Museu Théo Brandão

Outro era um mandingueiro
Jagunço de um coronel
Mais um vaqueiro zarolho
Por causa do escarcéu
Fugiram bem rapidinho
Foram parar no Vergel

Foi então que Mestre Graça
Ao poeta perguntou
Do destino de Blém-blém
Que os fantasmas expulsou
Qual será seu paradeiro
Qual o fim que ele levou?

O poeta respondeu
Ouvindo ao longe o trem
Disse que ele cumpriu
Sua missão muito bem
E por isso foi chamado
Para um plano mais além

Neste fim de madrugada
Não havia mais ninguém
Ambos olharam pra lua
Depois disseram amém
Jaraguá hoje tem saudades
Dos barulhos de Blém-blém

Cordel de Tchello d'Barros

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Acredite...


Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.
(A Hora da Estrela)

Clarice Lispector

domingo, 26 de junho de 2011

Te dou a minha alma


"Dizes que brevemente serás a metade de minha alma. A metade? Brevemente? Não: já agora és, não a metade, mas toda. Dou-te a minha alma inteira, deixe-me apenas uma pequena parte para que eu possa existir por algum tempo e adorar-te.
(Cartas de amor à Heloísa)"

Graciliano Ramos

sábado, 25 de junho de 2011

Oração - A Banda Mais Bonita da Cidade

Olá, amiguinhos (as) !

Meu namorado me mostrou esse vídeo, e eu achei super interessante pela ideia e criatividade dos artistas. Gostei bastante e considerei válido postar aqui no blog.

O vídeo é bem suave, os cantores têm vozes lindas e tocam super bem.

Aliás, fizeram várias paródias desta música que vocês podem encontrar no youtube e se divertirem bastante.

Bjs!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Te dou a minha ilusão


As minhas lágrimas não são o suficiente para você? O que tu ainda queres de mim, rapaz? A minha alegria, juventude, esperança e os meus sonhos? Desculpe-me! Mas estes já não mais existem. O que posso oferecer-te, hoje, é a minha ilusão. Esta é de acreditar que ainda te amo.

♥ Milena Andrade ♥

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A Menina Mais Linda do Mundo

Oun pessoal... É mais ou menos isso que acontece sabia?! Quando a gente tá apaixonado (a), achamos que aquela pessoa é a mais linda do mundo, mas para o nosso mundo. Será que você já achou isso mais de uma vez? Em relacionamentos anteriores? E você já mudou de opinião?
Eu posso te garantir que um dia você nunca mais irá mudá-la! (rs)

Achei este vídeo uma graça, simples e bem verdadeiro.


Este vídeo é um curta em animação do Anônimo Incógnito. Ele tem uns vídeos bem legais rolando por aí. Vale a pena conferir e prestigiar.